Pular para o conteúdo

classificados

Início » Governabilidade Condicionada: Lula em 2025

Governabilidade Condicionada: Lula em 2025

Panorama Geral

O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atingiu seu ponto médio em 2025 sob o signo da governabilidade condicionada. O Executivo opera com margem de manobra estreita, refém de alianças pragmáticas e de uma conjuntura econômica que limita a expansão fiscal. A aprovação do governo, medida em 38% pelo Datafolha de março, permanece estável, mas bem abaixo dos 45% registrados no início de 2023. A reprovação de 31% e o índice de regular de 31% revelam um eleitorado dividido, com rejeição concentrada no Sul/Sudeste e entre eleitores de renda alta, enquanto o Nordeste mantém aprovação superior a 50%.

Cenario Politico

A base governista no Congresso, formada por PT, PSB, PCdoB, PV, PSOL, Rede e partidos do centrão como PP, Republicanos e União Brasil, mantém coesão nas votações estratégicas, mas fragmenta-se nas disputas regionais. A estratégia do Palácio do Planalto é “governar com os partidos, não apesar deles”, usando nomeações de segundo e terceiro escalões como moeda de troca para aprovar pautas prioritárias. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) atua como articulador junto ao centro, mas os atritos entre a ala progressista do PT e os partidos de centro-direita são constantes, especialmente em questões ambientais e de direitos humanos. O antipetismo, embora latente, não se traduziu em impeachment ou crise institucional grave, indicando que o lulismo perdeu força de polarização desde 2023.

Economia

A equipe econômica liderada por Fernando Haddad enfrenta o dilema de controlar a inflação sem sufocar o crescimento, enquanto busca cumprir a meta de déficit primário zero em 2025, com margem de tolerância de 0,25% do PIB. A inflação acumulada em 12 meses atingiu 4,7%, acima do centro da meta de 3%, mas dentro do teto de 4,75%. A taxa Selic permanece em 12,75% ao ano, mantida pelo Banco Central autônomo devido à desancoragem das expectativas. O crescimento do PIB projetado para 2025 é de 2,1%, abaixo do potencial, puxado pelo agronegócio e serviços. A dívida bruta do governo geral chega a 79% do PIB, em trajetória de alta lenta, enquanto despesas obrigatórias consomem 92% do orçamento discricionário. O governo tenta aumentar a arrecadação via tributação dos super-ricos e combate à sonegação, mas o mercado permanece cético.

Analise

A governabilidade condicionada impõe ao Executivo uma coreografia delicada: cada movimento exige negociação com um Congresso fragmentado e uma base instável. O arcabouço fiscal aprovado em 2023 deu previsibilidade, mas as despesas obrigatórias engessam o orçamento, tornando qualquer novo programa social dependente de cortes equivalentes. A ausência de uma crise institucional grave reflete mais a falta de uma alternativa viável do que a força do governo. O centro político, representado pelo centrão, atua como fiador da estabilidade, mas cobra caro por seu apoio, seja em cargos, emendas ou pautas legislativas. A estratégia de conciliar a ala progressista com a centro-direita gera desgaste interno e externo, sem garantir avanços significativos em reformas estruturais.

Perspectivas

A trajetória do governo dependerá da capacidade de manter a coalizão unida enquanto a economia desacelera. A aproximação das eleições de 2026 tende a aumentar a pressão sobre o Planalto, com partidos aliados já se movimentando para garantir palanques regionais. O cenário externo, com juros altos nos Estados Unidos e desaceleração da economia chinesa, reduz o espaço para estímulos fiscais. A aprovação governamental, estável nos 38%, pode cair caso a inflação supere o teto ou o crescimento frustre as expectativas. O governo aposta na entrega de programas sociais já existentes e na melhora gradual dos indicadores econômicos para reverter a tendência, mas o equilíbrio instável do terceiro ano de mandato sugere que as dificuldades devem se intensificar.