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Governo Lula: aprovação cai a 38% e risco fiscal sobe

Panorama Geral

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atravessa o momento mais delicado desde a posse, com a aprovação popular em queda livre e o risco fiscal se consolidando como o principal desafio da gestão. Pesquisas internas do Planalto, vazadas em maio de 2025, indicam que a aprovação do governo caiu para 38%, ante 45% no início de 2024, pressionada pela insatisfação do eleitorado de centro e do agronegócio. O discurso de reconstrução nacional deu lugar a uma retórica de estabilidade a qualquer custo, enquanto a base aliada no Congresso apresenta fissuras crescentes e o PT original se queixa da preponderância de aliados fisiológicos nas pastas-chave.

O cenário político brasileiro no biênio 2025-2026 é um retrato de alta complexidade e baixa previsibilidade. A administração petista atingiu seu ponto de inflexão, superada a lua de mel inicial, e enfrenta agora o peso das promessas de campanha não cumpridas, uma oposição fragmentada mas vocal e uma economia que caminha sobre corda bamba fiscal. A seguir, uma análise por eixos estruturantes.

Cenario Politico

O terceiro mandato de Lula consolidou um estilo de presidencialismo de coalizão 2.0, onde o controle do Orçamento foi a moeda central para garantir governabilidade. No entanto, a nomeação de técnicos do Centrão para pastas como Transportes e Cidades criou um déficit de entrega simbólica, gerando ruído interno e dificuldade de comunicar uma agenda clara para 2026. O presidente da Câmara, Arthur Lira, e o presidente do Senado mantêm o controle sobre a pauta legislativa, enquanto o montante destinado a emendas parlamentares saltou para R$ 53 bilhões em 2025, um recorde histórico que expõe o custo da governabilidade.

A oposição, embora fragmentada, tornou-se mais vocal e organizada, especialmente nas redes sociais e nas comissões temáticas do Congresso. A insatisfação do eleitorado de centro com a falta de entregas concretas e a percepção de que o governo prioriza acordos políticos em detrimento de resultados práticos alimentam um ambiente de desconfiança. O PT original sente-se preterido por aliados fisiológicos, o que dificulta a formulação de uma estratégia unificada para as eleições de 2026.

Economia

A política econômica vive seu momento mais crítico desde o Plano Real, com o tripé superávit primário, câmbio flutuante e metas de inflação severamente tensionado. O déficit primário de 2024 fechou em 2,1% do PIB, equivalente a R$ 190 bilhões, frustrando a meta de déficit zero e expondo a fragilidade do arcabouço fiscal aprovado em 2023. A dívida bruta do governo geral superou os 78% do PIB, enquanto a taxa Selic, mesmo com cortes tímidos pelo Banco Central, permanece em 12,75% ao ano, segundo dados de agosto de 2025.

O arcabouço fiscal mostrou-se insuficiente para controlar as despesas obrigatórias, como Previdência e salários do funcionalismo, e a tentativa de desvincular receitas e despesas foi barrada pelo Congresso. O ponto de ruptura é a revisão de gastos públicos, incluindo o pente-fino no BPC, Previdência e subsídios, que se tornou o tema central do debate econômico. Sem essa revisão, o mercado projeta um risco de desancoragem fiscal que inviabilizaria novos investimentos e pressionaria o câmbio. A popularidade de Lula impede cortes mais profundos, mas a credibilidade econômica exige austeridade.

Analise

O governo trocou o discurso de reconstrução pelo de estabilidade a qualquer custo, mas essa estratégia tem gerado um duplo desgaste: por um lado, o PT original sente-se preterido; por outro, o eleitorado de centro não vê resultados práticos. A aprovação em queda para 38% reflete essa insatisfação difusa, que pode se aprofundar caso o cenário fiscal não seja equacionado. A nomeação de técnicos do Centrão para pastas-chave garantiu governabilidade no curto prazo, mas criou um déficit de entrega simbólica que corrói a base de sustentação política do governo.

O risco fiscal é o principal vetor de incerteza para o biênio 2025-2026. O déficit primário elevado e a dívida pública acima de 78% do PIB colocam o Brasil em uma posição vulnerável, especialmente em um contexto de juros altos e câmbio pressionado. A revisão de gastos é inevitável, mas sua implementação depende de um delicado equilíbrio entre a pressão do mercado e a necessidade de manter a base social do governo. A popularidade de Lula impede cortes mais profundos, mas a credibilidade econômica exige medidas de austeridade que podem custar caro em termos políticos.

Perspectivas

As perspectivas para o Brasil no bicentenário da Independência são de um cenário político turbulento e econômico incerto. A aprovação em queda e o risco fiscal elevado indicam que o governo precisará fazer escolhas difíceis nos próximos meses, seja na direção de uma austeridade fiscal que pode desagradar a base social, seja na manutenção do atual modelo de coalizão, que já mostra sinais de esgotamento. A oposição, embora fragmentada, pode se beneficiar do desgaste governista, especialmente se a economia não apresentar sinais de melhora.

A capacidade de Lula de reverter o quadro dependerá de sua habilidade em equilibrar as demandas do mercado financeiro, que exige responsabilidade fiscal, com as promessas de campanha que ainda não foram cumpridas. O risco de desancoragem fiscal é real e pode inviabilizar novos investimentos, comprometendo o crescimento econômico. Nas eleições de 2026, o governo enfrentará um cenário de baixa previsibilidade, com o eleitorado de centro insatisfeito e uma base aliada cada vez mais cara e menos fiel. O Brasil caminha sobre uma corda bamba, entre a inércia e a reconstrução.